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ARTIGOS · VOZ E SAÚDE VOCAL

A voz muda com a idade? Como cuidar da voz depois dos 40, 50 e 60 anos

Fotografia com a palavra Voz e uma planta

A voz envelhece?

Sim. Tal como acontece com outras estruturas do nosso organismo, a voz pode sofrer alterações ao longo da vida. A voz que temos aos 20 anos não é necessariamente igual à que teremos aos 50, 60 ou 70.

Isso não significa, porém, que ficar rouco, perder a voz ou deixar de conseguir comunicar com eficácia seja uma consequência inevitável da idade. O envelhecimento vocal resulta da interação entre vários fatores: alterações nos músculos e tecidos da laringe, mudanças hormonais, condição física geral, saúde, medicação, hábitos de vida e forma como utilizamos a voz.

Porque é que a voz muda com a idade?

Ao longo dos anos, podem ocorrer alterações nos tecidos e nos músculos envolvidos na produção vocal. Podem também existir mudanças na capacidade respiratória, força muscular, coordenação e controlo motor. Estas alterações podem influenciar intensidade, frequência, estabilidade, resistência, projeção e qualidade vocal. No entanto, idade cronológica e idade vocal não são exatamente a mesma coisa.

O que é a presbifonia?

O termo presbifonia é utilizado para descrever alterações da voz associadas ao processo de envelhecimento. Algumas pessoas podem sentir que a voz se tornou mais fraca, menos projetada, mais soprosa, instável, trémula, menos resistente ou mais cansada depois de falar.

Uma alteração da voz numa pessoa mais velha não deve, contudo, ser automaticamente atribuída à idade. Existem muitas outras causas possíveis de disfonia.

A voz começa a envelhecer aos 40 anos?

Não existe uma idade específica em que a voz “começa a envelhecer”. As alterações acontecem progressivamente e de forma diferente entre pessoas. Nas mulheres, por exemplo, as alterações hormonais associadas à transição para a menopausa podem influenciar a voz.

A menopausa pode alterar a voz?

Pode. As alterações hormonais da perimenopausa e da menopausa podem estar associadas a modificações vocais em algumas mulheres. Algumas praticamente não sentem diferenças; outras podem notar alterações no timbre, estabilidade, conforto ou extensão vocal. Para uma cantora, atriz, professora, formadora ou apresentadora, uma alteração relativamente pequena pode ter um impacto profissional maior.

O que pode acontecer à voz feminina na menopausa?

Algumas mulheres descrevem sensação de voz mais grave, menor facilidade nos agudos, alteração do timbre, secura, maior fadiga vocal, menor flexibilidade ou alterações na voz cantada. Estes sintomas, por si só, não permitem concluir que a causa seja hormonal. Se existe uma alteração persistente, é importante avaliar a voz e excluir outras causas.

E a voz dos homens?

A voz masculina também sofre alterações com o envelhecimento. Em alguns homens mais velhos, pode tornar-se mais aguda, mais fraca ou mais soprosa. Podem ainda surgir alterações na estabilidade e na projeção. Existe, porém, grande variabilidade individual.

“Já tenho idade, é normal ficar rouco?”

Não. A idade pode modificar determinadas características da voz, mas rouquidão persistente não deve ser normalizada. As orientações clínicas recomendam a observação da laringe quando uma alteração vocal não melhora ou não desaparece no prazo de quatro semanas, ou mais cedo quando existem sinais de alarme.

A voz pode ser treinada depois dos 50, 60 ou 70 anos?

Sim. A idade, por si só, não impede o trabalho vocal. A Terapia da Fala pode ser utilizada em determinadas alterações associadas ao envelhecimento, com o objetivo de melhorar eficiência, intensidade, resistência e funcionalidade. A intervenção deve ser individualizada.

E se a pessoa sempre utilizou muito a voz?

Professores, cantores, atores, formadores, apresentadores e outros profissionais podem chegar aos 50 ou 60 anos com décadas de utilização vocal intensa. É importante distinguir o que faz parte das alterações naturais, o que resulta das exigências profissionais e o que pode corresponder a uma alteração clínica.

A voz cantada também muda?

Sim, e os cantores podem ser dos primeiros a perceber essas mudanças. Uma pequena alteração na extensão, estabilidade de uma nota, passagem entre registos ou tempo de recuperação pode ser imediatamente identificada. O objetivo não tem de ser obrigar a voz aos 60 anos a comportar-se exatamente como aos 25, mas utilizar a voz daquele momento com o máximo de liberdade, eficiência e qualidade possível.

Como cuidar da voz à medida que envelhecemos?

Alguns princípios são importantes: manter hidratação adequada; continuar a utilizar a voz regularmente; evitar esforço vocal repetido; gerir períodos de grande carga; não competir constantemente com ruído; manter atividade física adequada; evitar tabaco; não ignorar alterações persistentes; procurar avaliação especializada quando existe mudança da voz; e realizar Terapia da Fala quando existe indicação.

Não deixar de comunicar por medo de utilizar a voz é igualmente importante.

Quando devo procurar ajuda?

Procure avaliação se notar rouquidão persistente, perda significativa de intensidade, esforço crescente para falar, voz muito soprosa, alterações importantes no timbre, cansaço vocal frequente, dificuldade em ser ouvido, dor ou desconforto, alterações na voz cantada ou uma mudança da voz que não consegue explicar.

Como pode ajudar a Projeta a Voz?

Na Projeta a Voz, avaliamos a voz tendo em conta a pessoa, a sua idade, as suas necessidades e a forma como utiliza a voz no dia a dia. O acompanhamento é 100% online e pode ser realizado por pessoas em diferentes regiões de Portugal ou no estrangeiro.

Envelhecer não significa deixar de ter uma voz presente, expressiva e funcional. A voz muda ao longo da vida. O importante é perceber quando essa mudança faz parte do percurso natural e quando está a dizer-nos que precisa de atenção.

Referências científicas

American Speech-Language-Hearing Association (ASHA). Voice Disorders — Practice Portal.

Stachler RJ, Francis DO, Schwartz SR, et al. Clinical Practice Guideline: Hoarseness (Dysphonia) (Update). Otolaryngology–Head and Neck Surgery. 2018.

Kost KM, Sataloff RT. Voice Disorders in the Elderly. Clinics in Geriatric Medicine.

Literatura científica sobre alterações vocais associadas ao envelhecimento, presbifonia e alterações hormonais na voz feminina.

Estes conteúdos têm finalidade informativa e não substituem avaliação clínica individual. Quando existem alterações persistentes da voz ou sinais de alarme, deve ser considerada avaliação médica adequada.

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